Pesquisa da engenheira agrônoma Andrea Ribeiro Domingues, aluna do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz(Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, buscou aperfeiçoar o entendimento sobre o desenvolvimento fisiológico da bananeira tipo Nanicão em clima tropical de altitude (Cwa), que tem como características estações bem definidas, inverno frio e seco e verão quente e chuvoso. A bananeira, por ser uma planta típica de clima tropical, no clima Cwa é considerada marginal para seu cultivo em escala produtiva, devido à possibilidade de ocorrência de geadas, o que pode causar riscos à produção.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Pesquisa conclui que clima tropical de altitude altera cultivo de bananas
Pesquisa da engenheira agrônoma Andrea Ribeiro Domingues, aluna do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz(Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, buscou aperfeiçoar o entendimento sobre o desenvolvimento fisiológico da bananeira tipo Nanicão em clima tropical de altitude (Cwa), que tem como características estações bem definidas, inverno frio e seco e verão quente e chuvoso. A bananeira, por ser uma planta típica de clima tropical, no clima Cwa é considerada marginal para seu cultivo em escala produtiva, devido à possibilidade de ocorrência de geadas, o que pode causar riscos à produção.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Cultivo do amendoim e gergelim é mais uma alternativa de renda para a agricultura familiar
Há dois anos, a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) desenvolve pesquisas com as culturas do amendoim e gergelim testando materiais genéticos para produção de alimentos e biodiesel. As oleaginosas são consideradas excelentes fontes de renda e alimento devido ao elevado valor agregado de seus produtos e tradicionalmente explorados pela agricultura familiar. Estão sendo avaliandos 18 linhagens, sendo oito de amendoim e dez de gergelim em quatro municípios do Estado.
Conforme Norival, a determinação da composição nutricional, teor e qualidade do óleo são importantes para introduzir características que aumentem a competitividade no mercado. A expectativa é apresentar no terceiro ano, resultados com informações técnico-científicas sobre o comportamento genético e agronômico de genótipos adaptados aos diferentes sistemas de cultivo, resistentes a pragas e doenças e contribuindo para o aumento da produtividade. A pesquisa conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Boas práticas de manejo reduzem risco de erosão
Técnicas adequadas aumentam índice de matéria orgânica no solo e diminuem liberação de gás carbônico
Nos últimos 30 anos, muitos produtores adotaram práticas conservacionistas, principalmente o sistema plantio direto (SPD). Esse sistema é uma das técnicas agrícolas sustentáveis do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). A adoção de boas práticas de manejo do solo traz benefícios importantes, como o aumento da matéria orgânica, o que contribui para a menor liberação de gás carbônico para a atmosfera e o aumento da cobertura do solo, protegendo-o contra a erosão.
— Uma forma adequada de manejar o solo consiste em práticas agrícolas que visam à sua conservação, ou seja, sempre mantendo a perspectiva de produções elevadas na mesma área por muitos anos — afirma Rodrigo Garcia, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste.
Segundo ele, o sistema de plantio direto se encaixa nesse conceito, já que um dos maiores benefícios é seu caráter conservacionista, evitando as perdas de solo por erosão, menor lixiviação de nutrientes e maior capacidade de armazenamento de água.
— Um sistema de plantio direto bem manejado e consolidado é dependente de algumas práticas agrícolas, como a ausência de revolvimento do solo, a manutenção de palha na superfície ao longo do ano e a alternância de espécies vegetais na área (rotação de culturas). Somente com a adoção dessas 3 técnicas agrícolas, esse sistema conservacionista se consolidará e trará maior rentabilidade ao agricultor — explica o pesquisador.
Para Garcia, uma boa rotação de culturas se baseia na alternância de espécies que apresentam características distintas. Desse modo, seriam usufruídos os pontos positivos de cada espécie vegetal. Por isso, a rotação entre gramíneas e leguminosas é a mais recomendada.
— De forma geral, as leguminosas apresentam maior capacidade de melhorar a fertilidade do solo e a gramíneas são mais aptas no crescimento de raízes e produção de palha. No entanto, devem ser levadas em consideração as características de cada área. Em caso de presença de nematóides, por exemplo, a inclusão da leguminosa crotalária seria mais indicada. No caso de elevada infestação da doença mofo-branco, a inclusão das gramíneas braquiárias e milheto seria a melhor alternativa — orienta.
Ainda de acordo com ele, a adoção de técnicas conservacionistas tende a melhorar os atributos físicos, químicos e biológicos do solo. Além do mais, um solo bem manejado tende a ter os teores de matéria orgânica elevados, o que é de fundamental importância para obtenção de produtividades elevadas em solos tropicais e altamente intemperizados.
— Nesse sentido, um sistema de produção bem conduzido, incluindo o manejo adequado do solo, tende a ser mais estável quanto às adversidades climáticas, além de apresentar menor infestação de pragas, doenças e plantas daninhas — conclui.
Nos últimos 30 anos, muitos produtores adotaram práticas conservacionistas, principalmente o sistema plantio direto (SPD). Esse sistema é uma das técnicas agrícolas sustentáveis do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). A adoção de boas práticas de manejo do solo traz benefícios importantes, como o aumento da matéria orgânica, o que contribui para a menor liberação de gás carbônico para a atmosfera e o aumento da cobertura do solo, protegendo-o contra a erosão.
— Uma forma adequada de manejar o solo consiste em práticas agrícolas que visam à sua conservação, ou seja, sempre mantendo a perspectiva de produções elevadas na mesma área por muitos anos — afirma Rodrigo Garcia, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste.
Segundo ele, o sistema de plantio direto se encaixa nesse conceito, já que um dos maiores benefícios é seu caráter conservacionista, evitando as perdas de solo por erosão, menor lixiviação de nutrientes e maior capacidade de armazenamento de água.
— Um sistema de plantio direto bem manejado e consolidado é dependente de algumas práticas agrícolas, como a ausência de revolvimento do solo, a manutenção de palha na superfície ao longo do ano e a alternância de espécies vegetais na área (rotação de culturas). Somente com a adoção dessas 3 técnicas agrícolas, esse sistema conservacionista se consolidará e trará maior rentabilidade ao agricultor — explica o pesquisador.
Para Garcia, uma boa rotação de culturas se baseia na alternância de espécies que apresentam características distintas. Desse modo, seriam usufruídos os pontos positivos de cada espécie vegetal. Por isso, a rotação entre gramíneas e leguminosas é a mais recomendada.
— De forma geral, as leguminosas apresentam maior capacidade de melhorar a fertilidade do solo e a gramíneas são mais aptas no crescimento de raízes e produção de palha. No entanto, devem ser levadas em consideração as características de cada área. Em caso de presença de nematóides, por exemplo, a inclusão da leguminosa crotalária seria mais indicada. No caso de elevada infestação da doença mofo-branco, a inclusão das gramíneas braquiárias e milheto seria a melhor alternativa — orienta.
Ainda de acordo com ele, a adoção de técnicas conservacionistas tende a melhorar os atributos físicos, químicos e biológicos do solo. Além do mais, um solo bem manejado tende a ter os teores de matéria orgânica elevados, o que é de fundamental importância para obtenção de produtividades elevadas em solos tropicais e altamente intemperizados.
— Nesse sentido, um sistema de produção bem conduzido, incluindo o manejo adequado do solo, tende a ser mais estável quanto às adversidades climáticas, além de apresentar menor infestação de pragas, doenças e plantas daninhas — conclui.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Embrapa Agroenergia e parceiros iniciam projeto com microrganismos para produção de etanol lignocelulósico
Obter microrganismos para atuar na produção de etanol de 2ª geração. Esse é o objetivo do projeto de pesquisa Linhagens microbianas superiores para a produção de etanol lignocelulósico, que a Embrapa Agroenergia começou a desenvolver em 2012. No dia 7 de fevereiro, a entidade reuniu a equipe do projeto em sua sede, em Brasília (DF), num workshop para discutir estratégias de trabalho.
A pesquisa vai atuar em duas frentes. A primeira é o desenvolvimento de microrganismos que produzam enzimas de baixo custo e alta eficiência na hidrólise da celulose. Por meio desse processo, a celulose é quebrada e seus açúcares, liberados para fermentação a etanol. Contudo, alguns desses açúcares não são fermentescíveis pelos microrganismos hoje disponíveis comercialmente. Esse é outro entrave da produção de etanol de 2ª geração que o projeto pretende atacar: desenvolver leveduras capazes de fermentar as pentoses -- açúcares de cinco carbonos. Em ambas as frentes, os pesquisadores utilizarão recursos de melhoramento genético para obter os microrganismos desejados.
A pesquisa vai atuar em duas frentes. A primeira é o desenvolvimento de microrganismos que produzam enzimas de baixo custo e alta eficiência na hidrólise da celulose. Por meio desse processo, a celulose é quebrada e seus açúcares, liberados para fermentação a etanol. Contudo, alguns desses açúcares não são fermentescíveis pelos microrganismos hoje disponíveis comercialmente. Esse é outro entrave da produção de etanol de 2ª geração que o projeto pretende atacar: desenvolver leveduras capazes de fermentar as pentoses -- açúcares de cinco carbonos. Em ambas as frentes, os pesquisadores utilizarão recursos de melhoramento genético para obter os microrganismos desejados.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Instrução Normativa do MAPA define novas regras para a classificação do arroz
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou no Diário Oficial da União DOU) do dia 7 de fevereiro de 2012 a Instrução Normativa nº 2, que altera a forma de avaliar a qualidade do arroz em casca. A partir de agora, o classificador deverá verificar o percentual de grãos "rajados" no arroz e não mais a quantidade de grãos vermelhos e pretos. A medida iguala o modo de avaliação da matéria-prima (arroz em casca) à avaliação do produto final (arroz beneficiado). O texto muda a redação da Instrução Normativa nº 6, de 16 de fevereiro de 2009.
De acordo com o Departamento de Qualidade Vegetal do Ministério, essa análise será realizada no processamento do produto, ou seja, a matéria-prima irá passar pelo beneficiamento para a retirada da casca e depois será submetida ao ,i>brunimento ou polimento. A mudança vale para o arroz em casca natural e para o arroz em casca parboilizado. Essa Instrução Normativa revoga a Instrução Normativa n° 11, de 11 de março de 2011, que perderia sua validade a partir do dia 01/03/2012 e sugeria a avaliação do arroz pelo percentual de grãos vermelhos e pretos.
O arroz do subgrupo em casca natural é o mais utilizado pelos produtores para venda ao poder público (PGPM). Os outros subgrupos são mais usados pelas indústrias. O governo deve observar essa alteração ao comprar e vender o arroz. Os novos parâmetros nacionais também valem para importar o produto.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Pagar para conservar florestas reduziria a extinção de plantas e animais
Conceder pagamentos a quem preserva intactas as florestas de todo o planeta realmente evitaria a extinção de plantas e animais? Segundo levantamento mais detalhado já feito sobre o assunto, publicado no dia 5 de fevereiro de 2012 na Nature Climate Change, é provável que a medida impeça que uma em cada quatro espécies de seres vivos que vivem em florestas desapareça até o ano de 2100.
Um grupo de pesquisadores, incluindo um brasileiro, analisou os possíveis impactos do mercado de carbono para manter as florestas de pé, livres do desmatamento e da degradação - duas ações que emitem gases de efeito estufa. O estudo sobre o impacto do mecanismo que recompensa financeiramente países dispostos a reduzir as emissões de gases provenientes do desflorestamento, chamado Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação(REDD), aponta para uma possível extinção em massa caso nada seja desembolsado.


Nesse trabalho os pesquisadores usaram um modelo de uso do solo - desenvolvido por pesquisadores do Instituto Internacional para Análises de Sistemas Aplicados (IIASA), da Áustria - que levou em consideração informações sobre distribuição das espécies e dados sobre a redução do desflorestamento evitado por meio do REDD. "Encontramos um quadro bem grave", afirma o economista Bernardo Baeta Neves Strassburg, diretor-executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade, no Rio de Janeiro, e o coordenador do estudo.
O trabalho usou como base de estudo 4.514 espécies de mamíferos e anfíbios que dependem exclusivamente de florestas. Os resultados apontam para a extinção de até 27% deles apenas em consequência do desmatamento. Em outra análise focada em plantas e animais endêmicos, os pesquisadores viram que até 36 mil espécies seriam extintas até o fim do século se nada for feito contra o desmatamento.
Mais espécies seriam preservadas conforme maiores os valores pagos por tonelada de gás carbônico absorvida pela floresta se mantida viva. Por exemplo, se cada tonelada de gás carbônico que deixasse de ser emitida pela preservação das florestas custasse US$ 25, isso evitaria a extinção de 85% a 94% das espécies em um século e deixariam de ser emitidos 4,3 bilhões de toneladas do gás por ano até 2020. Como o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) considera economicamente viável iniciativas de mitigação de até US$ 100, o número de espécies preservadas pode ser ainda maior.
Esse mecanismo sozinho não resolveria todos os problemas. A análise mostra que a REDD seria efetiva em evitar extinções em todo o planeta, mas algumas áreas, como a mata atlântica (do Brasil) e as florestas do sudeste asiático, demandariam esforços adicionais. "Nesses locais com grande pressão populacional ou econômica a REDD florestal não resolve todo o problema das extinções", diz o economista. Ele sugere que sejam realizadas iniciativas complementares. "O esforço do reflorestamento seria importante, principalmente, para a preservação da mata atlântica que conta apenas com cerca de 10% da sua cobertura inicial."
Além disso, a REDD só contempla florestas. Outros ambientes naturais ricos em biodiversidade, mas pobres em estoque de carbono, poderiam permanecer ameaçados. É o caso do cerrado brasileiro. "Outras estratégias, incluindo a ampliação de REDD para outros biomas, deveriam ser pensadas para preservá-los", ressalta o economista.
Existe, também, o temor de que a REDD prejudique a agricultura de maneira indireta. Se preservar a floresta gerar mais lucro do que plantar alimentos, a área cultivada poderia ser insuficiente para alimentar a população mundial. Atualmente, o mundo tem 7 bilhões de pessoas e a população continua em crescimento. Para evitar problemas como uma elevação do preço dos alimentos ou a escassez deles, a sugestão de Strassburg é utilizar áreas subaproveitadas, principalmente as terras já dedicadas à criação de gado. "Nosso país tem baixíssima produtividade na pecuária", diz o economista.
Por enquanto, o mercado internacional de carbono parece estagnado. "Ele está em stand by em escala global pela falta de acordos entre os países", conta. A Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas aprovou a criação de um sistema de incentivos financeiros para evitar as emissões de carbono provenientes do desmatamento e degradação florestal que deve fazer parte do próximo acordo climático internacional. Antes mesmo de ser amplamente adotada, a REDD segue em fase de aprimoramento.
"Algumas alternativas têm se mostrado promissoras como acordos entre países como a Noruega e Brasil ou até entre estados, como Califórnia, nos Estados Unidos, e Acre, no Brasil", conta o pesquisador. Nesses casos, as nações desenvolvidas investem para que detentores de florestas, como o Brasil, as mantenham preservadas.
O economista, que conseguiu unir na profissão as duas áreas do conhecimento que o atraíam desde adolescente, acredita que com boas intenções "é possível chegar a algum lugar, mas se chegará mais perto da proteção das matas quanto mais forem valorizadas as florestas com informações científicas e políticas públicas". Para Strassburg, "à medida que se paga mais por tonelada de carbono, a floresta se torna mais valiosa e, consequentemente, o desmatamento é reduzido".
O resumo do artigo "Impacts of incentives to reduce emissions from deforestation on global species extinctions" está disponível neste link. Apenas assinantes têm acesso ao texto completo.
FONTE: Revista Pesquisa Fapesp
Um grupo de pesquisadores, incluindo um brasileiro, analisou os possíveis impactos do mercado de carbono para manter as florestas de pé, livres do desmatamento e da degradação - duas ações que emitem gases de efeito estufa. O estudo sobre o impacto do mecanismo que recompensa financeiramente países dispostos a reduzir as emissões de gases provenientes do desflorestamento, chamado Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação(REDD), aponta para uma possível extinção em massa caso nada seja desembolsado.
Nesse trabalho os pesquisadores usaram um modelo de uso do solo - desenvolvido por pesquisadores do Instituto Internacional para Análises de Sistemas Aplicados (IIASA), da Áustria - que levou em consideração informações sobre distribuição das espécies e dados sobre a redução do desflorestamento evitado por meio do REDD. "Encontramos um quadro bem grave", afirma o economista Bernardo Baeta Neves Strassburg, diretor-executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade, no Rio de Janeiro, e o coordenador do estudo.
O trabalho usou como base de estudo 4.514 espécies de mamíferos e anfíbios que dependem exclusivamente de florestas. Os resultados apontam para a extinção de até 27% deles apenas em consequência do desmatamento. Em outra análise focada em plantas e animais endêmicos, os pesquisadores viram que até 36 mil espécies seriam extintas até o fim do século se nada for feito contra o desmatamento.
Mais espécies seriam preservadas conforme maiores os valores pagos por tonelada de gás carbônico absorvida pela floresta se mantida viva. Por exemplo, se cada tonelada de gás carbônico que deixasse de ser emitida pela preservação das florestas custasse US$ 25, isso evitaria a extinção de 85% a 94% das espécies em um século e deixariam de ser emitidos 4,3 bilhões de toneladas do gás por ano até 2020. Como o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) considera economicamente viável iniciativas de mitigação de até US$ 100, o número de espécies preservadas pode ser ainda maior.
Esse mecanismo sozinho não resolveria todos os problemas. A análise mostra que a REDD seria efetiva em evitar extinções em todo o planeta, mas algumas áreas, como a mata atlântica (do Brasil) e as florestas do sudeste asiático, demandariam esforços adicionais. "Nesses locais com grande pressão populacional ou econômica a REDD florestal não resolve todo o problema das extinções", diz o economista. Ele sugere que sejam realizadas iniciativas complementares. "O esforço do reflorestamento seria importante, principalmente, para a preservação da mata atlântica que conta apenas com cerca de 10% da sua cobertura inicial."
Além disso, a REDD só contempla florestas. Outros ambientes naturais ricos em biodiversidade, mas pobres em estoque de carbono, poderiam permanecer ameaçados. É o caso do cerrado brasileiro. "Outras estratégias, incluindo a ampliação de REDD para outros biomas, deveriam ser pensadas para preservá-los", ressalta o economista.
Existe, também, o temor de que a REDD prejudique a agricultura de maneira indireta. Se preservar a floresta gerar mais lucro do que plantar alimentos, a área cultivada poderia ser insuficiente para alimentar a população mundial. Atualmente, o mundo tem 7 bilhões de pessoas e a população continua em crescimento. Para evitar problemas como uma elevação do preço dos alimentos ou a escassez deles, a sugestão de Strassburg é utilizar áreas subaproveitadas, principalmente as terras já dedicadas à criação de gado. "Nosso país tem baixíssima produtividade na pecuária", diz o economista.
Por enquanto, o mercado internacional de carbono parece estagnado. "Ele está em stand by em escala global pela falta de acordos entre os países", conta. A Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas aprovou a criação de um sistema de incentivos financeiros para evitar as emissões de carbono provenientes do desmatamento e degradação florestal que deve fazer parte do próximo acordo climático internacional. Antes mesmo de ser amplamente adotada, a REDD segue em fase de aprimoramento.
"Algumas alternativas têm se mostrado promissoras como acordos entre países como a Noruega e Brasil ou até entre estados, como Califórnia, nos Estados Unidos, e Acre, no Brasil", conta o pesquisador. Nesses casos, as nações desenvolvidas investem para que detentores de florestas, como o Brasil, as mantenham preservadas.
O economista, que conseguiu unir na profissão as duas áreas do conhecimento que o atraíam desde adolescente, acredita que com boas intenções "é possível chegar a algum lugar, mas se chegará mais perto da proteção das matas quanto mais forem valorizadas as florestas com informações científicas e políticas públicas". Para Strassburg, "à medida que se paga mais por tonelada de carbono, a floresta se torna mais valiosa e, consequentemente, o desmatamento é reduzido".
O resumo do artigo "Impacts of incentives to reduce emissions from deforestation on global species extinctions" está disponível neste link. Apenas assinantes têm acesso ao texto completo.
FONTE: Revista Pesquisa Fapesp
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Contra biopirataria, projeto dá ao açaí o título de fruta nacional
A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 2787/11, que pretende dar ao açaí o título de fruta nacional. A proposta já foi aprovada pelo Senado Federal e tem o objetivo de evitar o uso da marca "açaí" por empresas estrangeiras e garantir o domínio brasileiro sobre o fruto da região amazônica, utilizado nas indústrias de alimentos e de cosméticos.
"Ao se declarar o açaí fruta nacional, o objetivo é chamar a atenção para o potencial nutricional e econômico guardado pela floresta amazônica. Ademais, é importante também que seja assegurada a plena utilização da biodiversidade de nosso País", justifica o autor da proposta, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA).
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Criação de Pirarucu será regularizada
Uma Instrução Normativa estabelecida em conjunto pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai regularizar a situação do Pirarucu em cativeiro do País. Os estados que realizam o manejo de reprodutores do peixe em cativeiro deverão se adequar às exigências e comprovar a origem animal. Uma equipe de técnicos estará percorrendo as propriedades para introdução dos marcadores eletrônicos individuais.
Conhecido como o maior peixe de escamas de água doce do mundo o pirarucu chega a ultrapassar os 200 quilos de peso. Muito apreciado pela sua carne, o Arapima gigas, nome científico do pirarucu, também é muito procurado para comercialização de sua pele e escamas.
Por ser um animal que se encontra em risco de extinção a pesca do pirarucu na região amazônica está proibida. A solução encontrada pelos piscicultores foi a criação da espécie em cativeiro, alternativa que hoje é incentivada pelo Governo do Estado de Rondônia.
A Instrução Normativa n.º 001, de 21 de dezembro de 2011, criada pelo MPA e Ibama estabelece os critérios de regularização e prevê ações como o cadastramento dos empreendimentos, vistoria dos animais com a introdução de marcadores eletrônicos individuais e coleta de sangue e pequena amostra das nadadeiras para identificação de DNA. Essas vistorias serão realizadas por uma equipe composta de técnicos das secretarias de Agricultura (Seagri), de Desenvolvimento Econômico e Social (Sedes), de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) de Rondônia, Emater-RO,MPA, Ibama e Sebrae-RO.
Com a Instrução Normativa a criação de pirarucu poderá ganhar novo fôlego. A adequação às exigências poderá não ser tão fácil, mas vencida essa etapa a comercialização do peixe ganhará novos mercados.
A engenheira de pesca da Emater-RO, Maria Mirtes de Lima explica que Rondônia será pioneira nesses procedimentos e que o trabalho de vistoria contará com a experiência dos técnicos da Emater-RO Elande Batista de Sales, Antônio Carlos Bonfim e José Edilson de Andrade que, há mais de vinte anos, atuam com piscicultura no Estado.
"O Estado tem se empenhado na criação de pirarucu para exportação e agora, com a adequação à Instrução Normativa ficará mais fácil e Rondônia será a vitrine para outros estados brasileiros", comenta a engenheira de pesca.
Os piscicultores terão aproximadamente um ano para se adequarem às novas exigências. Esse prazo foi estipulado de forma a não prejudicar o processo reprodutivo de alguns empreendimentos, já que alguns peixes encontram-se nessa fase. Com isso, assim como já acontece com o rebanho bovino, a procedência do pirarucu poderá ser rastreada, garantindo a certificação do animal.
Fonte: Emater-RO
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