Em reportagem postada pela SECOM MT a Feira Mumicipal de Juína, Mato Grosso, é modelo de fomento à agricultura familiar:
“Ainda de madrugada os produtos são colocados na banca. Legumes e verduras fresquinhos direto do campo para o consumidor. Assim é a feira livre de Juína (735 Km a noroeste de Cuiabá), referência na Agricultura Familiar no Estado de Mato Grosso. O secretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Sedraf), José Domingos Fraga Filho fez questão de conhecer o local ao lado do prefeito Altir Peruzzo.
O chefe do executivo municipal ressaltou que o diferencial da feira é o silêncio. “Não tem nenhum feirante que grita como nas feiras tradicionais. São 175 bancas com produtos que variam desde legumes, verduras, derivados do leite como queijos e requeijões, caldo de cana, rapaduras, mel, artesanatos e até churrasquinho gaúcho. “80% do que é consumido em Juína vem da agricultura familiar do município, o restante é oriundo de outros Estados”, informou.
A feira funciona duas vezes por semana, às quartas-feiras e aos domingos. A administração é feita pelo presidente da Associação dos Produtores Feirantes de Juina (Aprofeiju), Elzio Devair Gonçalves. Elzio revela que só são aceitos produtos da agricultura familiar. “Aqui não existe a figura do atravessador. A população compra direto do produtor rural. Além disso, evitamos mercadorias que são importadas de outros Estados. Nossa intenção é fomentar a produção local e incentivar a compra dos produtos do município para aquecer a economia da região e garantir emprego e renda”, destacou.
O que mais chamou a atenção do secretário Zé Domingos foi o hábito da população de comparecer a feira. “Comprar os produtos direto dos produtores faz parte da rotina dos moradores. O fluxo de pessoas é grande, principalmente no horário da manhã para pegar os produtos mais fresquinhos”, destacou José Domingos.
Ao percorrer a feira, o secretário conversou com o apicultor e feirante, Elói Elson Datsch, sobre o mercado do mel. O produtor rural revelou que a atividade é rentável. “Tenho 230 colméias e produzo cerca de 40 quilos de mel por colméia, ou seja, tenho mel o ano inteiro. Não tem atividade mais lucratividade que nem esta. Vendo em garrafas de litro e em sachês. Antigamente o mel era usado apenas para fins medicinais, mas hoje isso mudou e é utilizado também nos produtos de beleza e na gastronomia”, comemorou.
José Domingos reforçou que o ‘Pacote da Agricultura Familiar’ vai contribuir para o fortalecimento de diversas cadeias produtivas, mas uma em especial que precisa ser fomentada na região é o arranjo produtivo da fruticultura. “Percebemos na feira a ausência de frutas. A maioria delas que é consumida em Juína vem de fora e não podemos admitir isso, vamos procurar mudar esta realidade o quanto antes”, pontuou.
O município de Juína conta 450 assentamentos, totalizando em dois mil agricultores familiares. Os produtos da agricultura familiar são comercializados nas feiras, supermercados e consumidos na merenda escolar.”
Podemos perceber alguns pontos importantes para esse sucesso:
“O Sr. Elzio Devair Gonçalves Silva, atual presidente da Associação de Produtores Feirantes de Juina conta que a feira foi fundada em junho de 1982, no início haviam apenas 12 feirantes entre eles o Sr. Artur Peruzzo, o Sr. Elzio e Dona Maria Pasteleira, a qual é conhecida por ter sido a primeira presidente informal da feira. Inicialmente a feira só funcionava aos domingos e tempos depois passou a funcionar também nas quartas- feiras à tarde e posteriormente na parte da manhã.
A atual construção dispõe de 185 bancas para atender seus associados. Atualmente a feira de domingo dispõe de 170 a 180 feirantes com diversos tipos de produtos.
Ainda na feira há existência de um barracão paralelo com os dois pavilhões onde também encontra produtos de vários tipos, como por exemplo, roupas, brinquedos, artigos de pesca, calçados, CDs, DVDs, cosméticos dentre outros, onde os vendedores desses produtos não fazem parte da associação APROVEJU, apenas contribuem com uma taxa diária para poderem comercializarem seus produtos dentro do espaço destinado a eles, pois o primeiro e segundo pavilhão são destinados apenas para agricultores familiares havendo também algumas bancas destinadas a alimentação.
Nas bancas pode-se encontrar várias olerícolas como abóbora, abacaxi, melancia, pimentão, tomate, repolho, rúcula, cebolinha, coentro, beterraba, quiabo e a alface, que pode ser encontrada na maioria das bancas, também encontra-se diversos produtos oriundos da agricultura familiar, como queijos, leites, rapaduras, doces, frutas, peixes, carnes suína, frangos, ovos, derivados do milho como pamonhas, curaus, encontra-se também artesanato e existem barracas destinadas à alimentação.
No que se refere a políticas públicas, como forma de incentivo a agricultura familiar no dia 29 de novembro de 2011 o prefeito Altir Peruzzo assinou um termo de cooperação técnica com a SEMA visando beneficiar 240 famílias da agricultura familiar em cinco regiões do município com a introdução de novos sistemas agroflorestais com intuito de aumentar a renda familiar e preservar o meio ambiente.
Outra forma de incentivo a agricultura familiar de Juína é a lei nº 1.157/2010 que obriga a rede de educação municipal a adquirir 50% de toda sua merenda escolar diretamente do agricultor familiar do município ou associação representante.
Nesta pesquisa, os alunos ainda sugerem algumas açãoes que poderiam melhorar ainda mais a importância desta organização no cenário agrícola regional, como:
· Observa-se a necessidade de que haja um investimento por parte da APROFEJU na agricultura familiar do município. A associação poderia fazer compras de insumos (sementes, defensivos agrícolas, etc), para seus associados, desta forma estaria diminuindo os custos de produção para os associados.
· Deveria ter capacitação, qualificação dos agricultores, para que possam aumentar a sua produção ou até mesmo qualificar os produtos oferecidos aos consumidores.
· Observa-se a necessidade da implantação de um sistema de automação comercial, acompanhando as novas tecnologias gerenciais, para um controle e gestão eficaz da associação.
· A busca de novas técnicas de cultivo, como casa de vegetação, hidroponia entre outros, para oferecer aos agricultores para que possam produzir produtos em épocas diferenciadas, agregando assim um maior valor comercial aos seus produtos.
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